SESSÃO ÚNICA: CHUVA É CANTORIA NA ALDEIA DOS MORTOS
País:
Brasil, Portugal
Ano:
2018
Categoria:
Brevemente, Drama
Estreia:
23/03/2019
Duração:
1 h 54 m
Argumento:
João Salaviza, Renée Nader Messora
Realização:
João Salaviza, Renée Nader Messora
Elenco:
Henrique Ihjãc Krahô, Raene Kôtô Krahô e Povo da aldeia de Pedra Branca - Terra Indígena Krahô
Idioma:
Krahô, Português

SESSÃO ÚNICA no dia 23 de Março, às 16h00, apresentada pelos realizadores João Salavisa e Renée Nader Messora.

Em 2009, Renée viajou até ao Norte do Brasil, onde visitou a aldeia Krahô. Este povo indígena habita uma zona de terreno árido, a milhares de quilómetros de Brasília, no estado de Tocantins. Durante esta viagem, acabou por acompanhar um amigo que registou o final da festa de fim de luto de um líder importante da aldeia. Desde então, Renée nunca mais se afastou muito ou por demasiado tempo dos seus habitantes. Gradualmente, uma teia de afectos foi-se desenvolvendo.

Nestes encontros, descobriu uma partilha de ideias e filmes, com foco na imagem como forma de pensar a resistência indígena. Formaram-se um grupo de operadores de câmara: os Guardiões da Cultura Mentuwajê. Composto por jovens Krahôs que ainda hoje usam as suas câmaras como armas ao serviço da auto-determinação e reafirmação da sua identidade. Alguns anos mais tarde, João juntou-se a este percurso. Até hoje o casal continua o seu trabalho com a comunidade.

Os Krahô são um povo Timbira que pertence à família Jê, e ao tronco linguístico Macro-Jê. À semelhança do resto dos Timbira, auto-intitulam-se “mẽhĩ”.
São os habitantes originais do Cerrado e, dada a sua vivência prolongada neste meio, desenvolveram conhecimentos ecológicos sofisticados, passados de geração em geração.

Esta noite, os espíritos e as cobras ainda não apareceram. A floresta ao redor da aldeia está calma. Ihjãc, quinze anos, tem pesadelos desde que perdeu o pai. Ele é um índio Krahô, do Norte do Brasil. Ihjãc avança na escuridão com o corpo suado. Uma voz distante ecoa por entre as palmeiras. A voz do pai chama-o, junto à cascata: chegou o momento de preparar a sua festa de fim de luto para que o espírito possa partir para a aldeia dos mortos.
Rejeitando o seu dever e para escapar do processo de se transformar em xamã, Ihjãc foge para a cidade de Itacajá. Longe do seu povo e da sua cultura, vai enfrentar a realidade de ser um indígena no Brasil contemporâneo.

Festivais & Prémios
Festival de Cannes 2018 – Vencedor do Prémio do Júri “Un Certain Regard”
Festival de Cinema Mar del Plata 2018 – Vencedor do Prémio Especial do Júri
Festival de Cinema do Rio de Janeiro 2018 – Prémio para Melhor Realização e Melhor Cinematografia
Festival de Cinema de Torino – Prémio para Melhor Documentário Internacional
Festival de Cinema de Londres – Selecção Oficial
Festival de Cinema de Munich – Nomeado para o Prémio “CineVision”

“Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos é uma prova que dentro do real é possível sermos transportados para um mundo do “outro lado”. Um mundo que está a desaparecer e que é impossível não amar. Não foi por acaso que a equipa do filme, na sessão oficial, chegou com cartazes para protestar contra a forma como o governo brasileiro na intervém na demarcação dos territórios dos índios. Por tudo isto, o júri presidido por Benicio Del Toro não poderia passar ao lado deste espantoso objeto possuído.” Rui Tendinha, Diário de Notícias

“O filme da fuga impossível do jovem índio Ihjãc, personagem perseguida e atordoada pela “realidade” e pelos “fantasmas” (como antes os jovens de Arena, Rafa ou Cerro Negro nas suas deambulações pela luz e pelas trevas), é o filme da fuga impossível de João Salaviza. Que foi incitado a mudar para, de alguma forma, o essencial ficar na mesma. Fugiu do cinema, encontrou o cinema. E nós encontrámos um dos mais bonitos filmes de Cannes.” Vasco da Câmara, Público

 

 

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